Londres, 29 de Abril de 2011.
Tá bom, todos sabiam que hoje William e Catherine se casariam afinal, fomos nada gentilmente “inundados” por informações.
Mas tanta curiosidade trazia consigo suas justificativas: A cerimônia de hoje, foi marcada pelo fato de ser o primeiro casamento da era da internet.
Sabe-se muitíssimo bem que William e Harry (que tornara-se a partir de hoje o homem mais “cobiçado” do mundo) são o centro das atenções porque são acima de qualquer coisa, espelhos e filhos de Diana, uma mulher que desmistificou e desnudou os empoados traquejos da esnobe família real.
Permaneceram distantes de escândalos (sim, com exceção de alguns arroubos infantis e juvenis aos quais não me cabem comentários a um passo que estão bastante cravados no passado), serviram as Forças Armadas do seu país e emfim, cativaram um povo inteiro. Também, com um currículo desses...
Mas vamos ao casamento que teve uma série de pontos marcantes:
O desconforto (já esperado) da família Middleton. Suas preocupações em não errar e comprometer sua imagem (e a da filha) diante da realeza (especialmente da rainha, é claro) e do mundo inteiro.
Contrariando muitas impressões (não só minhas) Harry demonstrou ser um príncipe de luz própria, carismático, delicado em seus gestos sem desmerecer seus também peculiares hábitos nada ligados a realiza (ambos os príncipes sempre foram muito aliados a figura da mãe, simples e realista).
A preocupação da Rainha em se manter distante do povo em seus gestos comedidos, um tanto frios e curtos com o povo era evidente, especialmente na apresentação dos recém-casados.
Várias perguntas surgiram em torno dos motivos do casamento. Grávida Cate não está porque conseguiu emagrecer bastante (sem necessidade) para aparecer ainda mais esbelta na data da cerimônia. Seria um gesto talvez desesperado da Monarquia em se manter em um patamar social e fazer um resgate de sua popularidade visivelmente arranhada e comprometida (afinal de contas, falamos de uma queda de 80 para 60% de aprovação do povo).
Falando ainda em popularidade, o drástico afastamento “natural” da família real britânica em relação aos outros membros monárquicos mundo afora foi também encontrado como um bom motivo para um cerimonial tão rigoroso e grandioso, pois foi o suficiente para que as boas relações dos britânicos com o restante da realeza fossem ao menos “esteticamente” retomadas.
Outra especulação pertinente aponta o casamento como uma estratégia financeira. Mas sejamos ao menos um pouco inteligentes: com um lucro equivalente a dois bilhões de Euros, quem pode acreditar em lucro diante do gasto previsto em 10 bilhões? Sejamos francos, o simples fato de o país decretar um feriado na data do casamento, já significa uma evidente pausa na indústria, no comércio e nos serviços por mais de 24 horas, abertura nos pubs (que na data de hoje, ficarão a noite inteira abertos, seguindo uma permissão da nobreza, contrariando a ordem expressa de que todos devem ser fechados às 23 horas todos os dias) e enfim, vários motivos que simbolizam um déficit financeiro visível até mesmo aos olhos mais incautos .
Falando ainda da sacada, Charles parecia um tanto à vontade segurando uma das daminhas para que ela pudesse ver o povo durante o aceno dos noivos para o povo. Verdade ou um sinal claro de uma nova realidade? Pois falamos de um Príncipe "falido socialmente" após seu divórcio com Lady Di e o casamento com a Duquesa da Cornuália (que recebeu tal título para efeitos clássicos e decadentes). Diga-se de passagem, este mesmo príncipe pertence a um país onde prevalece a frase "Na Inglaterra rei reina, mas não governa" é cada vez mais necessário que sua figura já obscura se entregue a alguns trejeitos populares ao menos em forma de agradecimento ao povo que sustenta todos os luxos exorbitantes de que sua nobre família desfruta.
No palácio (na famigerada sacada de sempre) de Buckingham, o protocolo: que visava somente um beijo entre os noivos foi quebrado: William beijou sua agora esposa duas vezes (talvez influenciado ou "aquecido" por uma multidão em polvorosa que gritava seus nomes). Mas depois de viver por sete anos sob o mesmo teto que a princesa e de ela ser "cordialmente dispensada" pela rainha Elizabeth de sua obrigação em fazer um teste que pudesse comprovar sua virgindade para a família real britânica.
Os gastos despreocupados da família real também assustam não só pelo fato de serem desmedidos e feitos única e exclusivamente para impressionar o povo e o mundo, ainda chocam pelo fato de que são "patrocinados pelo povo" e também para fazerem jus aos 2 bilhões de televisores além de infinitos computadores, tablets, celulares e demais aparelhos ligados ao redor do mundo.
Lady Di
Vamos ao princípio de tudo: Di é uma Lady porque provém de laços fortes da nobreza.
É impossível falar de tudo sem mencionar a figura de Lady Di!
Começando pelo local da cerimônia de hoje, a Abadia de Westminster foi o local onde o corpo de Diana foi velado há 15 anos.
Seu velório teve mais audiência do que o casamento de hoje sendo que há a estimativa de que 2,5 bilhões de aparelhos de televisão acompanharam o desfecho do trágico mês de Setembro de 1997.
As comparações entre Di e Catherine são muitas, mas talvez um tanto embaraçosas para uma moça tão jovem.
Catherine não precisou provar nada (quanto mais algo tão constrangedor quanto sua virgindade), mas Diana teve pontos ao seu favor: por conta da linhagem da qual descendia, manteve-se casta por desejo próprio enquanto a segunda, viveu por cerca de 7 anos com o noivo e teve infinitas idas e vindas .
Diana, por ser membro da monarquia pôde receber olhares de seu futuro marido ao entrar pela igreja. Foi imediatamente nomeada princesa e ser reconhecida como tal. Algo que Catherine, como plebéia, não pôde desfrutar.
Por favor! Diana fora a primeira a tornar-se imediatamente um ícone de carisma, moda, quebras delicadas e despropositais de protocolo (como nas cenas onde oferece em público, a mão para William brincar) que aliadas a uma batalha fervorosa ao combate do HIV viria a marcar positivamente sua trajetória como a princesa do povo, forma como ficaria conhecida.
Apesar de seu casamento “arranjado” com Charles, ela atendia aos requisitos clássicos da monarquia: era protestante, aristocrata, virgem e acataria calada desde o noivado, os encontros entre o príncipe Charles e Camila Parker.
Acredito que Catherine seja mais destemida, forte, exigente que Diana, mas é justamente aí onde ela pode pecar e deixar de ser uma verdadeira princesa.
Repercussão no Brasil
Sinceramente, apesar de ver muitos veículos afirmando que muitas coisas mudaram na rotina do dia de hoje, a única que eu reparei foi que muitos amigos meus aguardaram o "momento do sim" (que aconteceu por volta das 7:30 no horário de Brasília) e se atrasaram para saírem ao trabalho.
Outros tantos anteciparam - se na chegada ao trabalho e assistiram a cerimônia do jeitinho paulistano: numa padaria mesmo, humildemente acompanhados por uma boa média e do colega mais próximo afinal de contas, o matrimônio britânico ocorreu em terras muito, mas muito distantes!
Se há uma coisa que realmente repercutiu no Brasil, foi o fato (óbvio) de que William e Catherine não se tornarão príncipe e princesa, respectivamente.
Convenhamos, como isso aconteceria se ela não provém da realeza e ele não é o primeiro na linha de sucessão real e sim o seu pai? Talvez para abrandar os ânimos, a "democrática" rainha Elizabeth II o nomeou Duque de Cambridge, Conde de Strathearn Carrickfergus e Barão logo pela manhã, pouco antes da cerimônia, o que automaticamente se estendeu a sua jovem e recente esposa.